Os gastos administrativos do governo federal para manter a máquina pública em funcionamento somaram R$ 72,7 bilhões em 2025, o maior valor registrado nos últimos nove anos, de acordo com dados divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional, compilados pelo G1 com ajuste pela inflação. A série histórica teve início em 2011 e permite comparar os valores ao longo de diferentes governos.
O levantamento mostra que os gastos com custeio — que incluem despesas como contas de água, energia elétrica, telefone, limpeza, vigilância, combustíveis, tecnologia da informação, aluguel de imóveis e veículos, diárias, passagens e serviços bancários — voltaram a ultrapassar a marca dos R$ 70 bilhões em 2025, após queda observada nas gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro. O crescimento dessas despesas ocorre durante o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, iniciado em 2023, quando os valores de custeio administrativo passaram de R$ 63,2 bilhões em 2023 para R$ 65,1 bilhões em 2024 e alcançaram R$ 72,7 bilhões em 2025.
Esse tipo de gasto faz parte dos chamados gastos livres do governo, que englobam despesas administrativas de custeio e investimentos, e estão sujeitos às regras do arcabouço fiscal, que limitam seu crescimento real a até 2,5% ao ano, já descontada a inflação. A ampliação dessas despesas reduz o espaço orçamentário para outras áreas, como investimentos em infraestrutura, políticas sociais, bolsas de estudo e manutenção de serviços públicos.
De acordo com dados do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, o governo federal terá uma margem de R$ 129,2 bilhões em 2026 para cobrir gastos livres, incluindo despesas administrativas e investimentos, em um contexto de pressão fiscal e ano eleitoral. Analistas e técnicos em contas públicas alertam que o aumento dos gastos administrativos pode comprometer a capacidade do Estado de alocar recursos em programas e serviços considerados essenciais.
