Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da FEA-USP, aponta que as apostas online, as bets, reduziram o consumo e retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica brasileira em 2025. O valor representa de 0,9% a 1,1% do PIB, equivalente a uma parcela significativa do crescimento da economia no ano passado.

"Para dimensionar essa magnitude, a perda estimada corresponde a algo entre 40% e 50% de todo o crescimento da economia em 2025, cinco vezes maior que estimativas do impacto do tarifaço americano sobre o PIB brasileiro", aponta a pesquisa.

IMPACTO NA ARRECADAÇÃO

O estudo estima perda de receitas públicas entre R$ 31,1 bilhões e R$ 54,8 bilhões. Descontados os cerca de R$ 9 bilhões arrecadados diretamente das plataformas, o efeito líquido sobre as contas públicas seria negativo em pelo menos R$ 22 bilhões, podendo chegar a R$ 46 bilhões — o equivalente a 10% a 20% do orçamento de saúde pública de São Paulo em 2025.

ENDIVIDAMENTO E DESIGUALDADE

A pesquisa também avalia hipótese de que a transferência líquida de R$ 62,5 bilhões para as bets tenha sido financiada por novo crédito, o que corresponderia a cerca de 14% do aumento do endividamento das famílias em 2025, ano em que o saldo de crédito para pessoas físicas cresceu R$ 450 bilhões.

Como o 1% mais rico concentra cerca de 24% da renda do país, os pesquisadores estimam que a transferência de recursos das famílias para as bets pode elevar a concentração de renda entre 0,5% e 2,1%, dependendo de quem recebe os lucros das casas de apostas.

Segundo o estudo, a retirada de renda das famílias, principalmente das de menor renda, pode ampliar a desigualdade, reduzir a demanda e afetar o PIB, além de diminuir a arrecadação fiscal e pressionar as contas públicas.