O Brasil apresentou oficialmente o primeiro caça supersônico produzido em solo nacional, o Saab Gripen E, fabricado em parceria entre a sueca Saab e a Embraer na fábrica de Gavião Peixoto, interior de São Paulo. O presidente Lula participou da cerimônia de entrega, batizou o avião com espumante e acompanhou o voo ao lado da aeronave. Com a entrega, o Brasil passa a integrar o grupo de 15 países que fabricam caças supersônicos, com diferentes graus de autonomia tecnológica. Na Força Aérea Brasileira, o modelo recebe a designação F-39.

Dos 36 Gripen contratados pelo Brasil em 2014, 15 deverão ser completados na fábrica de Gavião Peixoto. O programa envolveu a formação de 350 engenheiros e técnicos brasileiros treinados na Suécia, capacitando o país na integração de sistemas supersônicos, operação de softwares complexos e tecnologias de guerra eletrônica. O custo total do programa já somou R$ 16,75 bilhões em valores corrigidos, com 12 aditivos ao contrato original. O projeto acumula atraso de oito anos: a previsão inicial era de que todos os aviões estivessem voando em 2024, e a estimativa atual aponta para 2032.

Além de equipar a FAB, a fábrica brasileira mira o mercado externo. A Embraer deve ser responsável pela produção de parte dos 17 caças encomendados pela Colômbia após a escolha do Gripen naquele país. O presidente da Saab, Micael Johansson, afirmou que o programa no Brasil manterá as aeronaves em operação até 2060. O Gripen é atualmente o caça mais avançado da América Latina e substituirá, ao longo dos próximos anos, os caças AMX e F-5 que hoje compõem a frota da FAB.