Com o Dia do Artesão celebrado em 19 de março, a Secretaria da Proteção Social divulgou levantamento da Central de Artesanato do Ceará (CeArt) que traça o perfil dos 21.849 artesãos ativos no estado. A maioria expressiva é feminina: 76,7% dos cadastrados são mulheres. A faixa etária predominante é de 40 a 59 anos, que concentra 46% dos profissionais ativos. Entre as tipologias mais representativas estão os trabalhos em fios e tecidos, com 20.637 artesãos, seguidos pelas produções com fibras vegetais, materiais sintéticos, madeira, ceras e massas e argila.

O levantamento dá rosto e história ao artesanato cearense. A fortalezense Marlice Soares, de 51 anos, começou a pintar tecidos aos 12 e hoje domina também a modelagem em massa cerâmica e a pirografia. A bordadeira Maria Elisângela da Silva, de Aracati, chegou ao projeto Canoa Mulher sem saber nenhum ponto e aprendeu do zero técnicas como ponto corrente, ponto haste e rococó. Carlos Eduardo da Rocha, de 45 anos, aprendeu a arte das garrafas de areia colorida observando artesãos mais antigos na região de Ponta Grossa, no litoral cearense. Já a mestra Maria Beatriz Andrade da Cunha, dona Bia, nascida em 1939, encontrou no labirinto uma forma de autonomia após anos de trabalho doméstico. A rede conta ainda com nomes reconhecidos nacionalmente, como Mestre Espedito Seleiro, referência no couro do Cariri, e Mestre José Lourenço, da xilogravura.

Em termos de escolaridade, 36,2% dos artesãos ativos têm ensino médio completo, 34,8% têm ensino fundamental e 20,8% possuem ensino superior ou pós-graduação. A vice-governadora Jade Romero, que também é secretária da Proteção Social, destacou que o perfil detalhado permite direcionar políticas públicas específicas para esse público, com foco em capacitação produtiva e geração de renda.