O Consórcio Biotec, por meio da empresa paulistana Inova Medical, iniciou hoje (12) as etapas de construção da primeira fábrica do mundo destinada ao processamento industrial em larga escala de curativos biológicos de pele de tilápia. A unidade será erguida em Jaguaribara, a 228,45 quilômetros de Fortaleza, com investimento inicial estimado em R$ 52 milhões para a primeira fase. A iniciativa parte da transferência de tecnologia de uma patente desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará para o tratamento de queimaduras de segundo e terceiro graus e feridas de difícil cicatrização. A demanda é expressiva: o SUS registra mais de 1 milhão de queimados por ano no Brasil, além de interesse do mercado internacional.

A nova planta foi projetada para alcançar, no primeiro ano de operação comercial, capacidade de 4.300 unidades processadas por dia, podendo chegar a 12 mil peles diárias em uma segunda fase de expansão. O texto-base do projeto ressalva, porém, que a produção efetiva do total previsto na primeira etapa não deve ser atingida logo no estágio inicial, ficando para fases posteriores. O CEO da Inova Medical, Luciano Foianesi, estima que a fábrica atenderá 20% da demanda nacional do setor de queimados.

O desenvolvimento da tecnologia de conservação e aplicação da pele de tilápia para fins médicos começou no ambiente acadêmico sob coordenação do pesquisador Odorico de Moraes, professor do curso de Medicina da UFC e coordenador do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos. Atualmente, o núcleo abriga o Laboratório de Pesquisa da Pele de Tilápia, em Fortaleza, com capacidade para processar em média até 600 peles por mês, usadas em pesquisas e atendimentos pontuais.