A coligação Unir para Mudar, que teve Ciro Gomes (PSDB) como candidato ao Governo do Ceará, entrou com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) para contestar o resultado das eleições estaduais de 2026. Os advogados Hélio Parente e André Xerez explicaram a ação em coletiva nesta quarta-feira (14). Se os pedidos forem aceitos, a ação pode levar à cassação da chapa vencedora, encabeçada por Elmano de Freitas (PT), e a novas eleições.
O QUE A DEFESA ALEGA
O principal argumento é suposto abuso de poder por uso indevido dos meios de comunicação. Segundo os advogados, decisões judiciais tomadas nos últimos dias da campanha alteraram a distribuição do tempo de propaganda no rádio e na TV e provocaram desequilíbrio entre as candidaturas.
André Xerez afirmou que o monitoramento da campanha identificou 776 inserções de propaganda em benefício de Elmano nos dias 2 e 3 de outubro, sem espaço equivalente para Ciro. A defesa também questiona decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo ela, restituíram tempo de propaganda a Elmano, e uma decisão cautelar que interferiu temporariamente na composição da coligação de Ciro e no cálculo do seu tempo. Para Xerez, a iniciativa não se baseia apenas na insatisfação com o resultado, mas na avaliação de que os fatos podem ter comprometido a igualdade entre os candidatos.
O QUE PODE ACONTECER
A AIJE serve para investigar abuso de poder político ou econômico e uso indevido dos meios de comunicação. Se for julgada procedente, pode haver sanções, incluindo a cassação de registros ou diplomas. A apresentação da ação não significa que a eleição tenha sido anulada nem que a chapa de Elmano esteja cassada: o resultado depende da análise das provas e do julgamento.
RESPOSTA DA CAMPANHA DE ELMANO
A coligação "Ceará forte, do lado certo" respondeu: "A campanha de Elmano de Freitas lamenta que o candidato Ciro Gomes continue desrespeitando a democracia e questionando o resultado legítimo das urnas".
