A engenheira Lívia Rossi, de 22 anos, natural de Botucatu, no interior de São Paulo, decidiu largar tudo e se mudar para a Vila de Jericoacoara após uma viagem que era para durar apenas uma semana. Formada em Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, Lívia chegou a Jeri no fim de maio com a mãe. No dia de voltar para São Paulo, foi no banho que veio a decisão. "Por que eu vou embora? Por que eu vou pegar esse voo de volta? Eu me questionei de verdade. Vou ficar por aqui. Se as coisas derem certo aqui, eu fico; se não, eu continuo minha vida. E até o momento está dando certo", declarou. A mãe, que embarcou de volta sem a filha, primeiro achou que era loucura. "No primeiro momento, ela ficou tipo: você é maluca mesmo. Ela só acreditou quando entrou no transfer para ir ao aeroporto", lembrou Lívia. Mas a família a apoiou: "Meu pai me apoiou muito. Então eu pensei: está todo mundo me apoiando, então é isso."

Lívia explica que a decisão foi facilitada por um momento de transição: ela havia acabado de se formar e encerrado um trabalho de pesquisa em modificação de micro-organismos para produção de biomoléculas. "Foi uma paixão mais consciente, de que eu vi tudo que Jeri tinha a oferecer. Mas eu também vi aquilo que Jeri não podia oferecer", disse. A engenheira ainda está resolvendo questões como moradia e emprego fixo na vila, mas já conseguiu oportunidades pontuais: trabalhou em divulgação de festas, fez trabalho de modelo para fotos de hotel e vai começar como recepcionista e garçonete.

A história de Lívia é um retrato do crescente fenômeno de brasileiros que escolhem Jericoacoara como novo lar. A vila, sem acesso por estrada pavimentada, é considerada uma das praias mais bonitas do mundo e recebe visitantes de dezenas de países ao longo do ano.