As exportações de lagosta do Ceará totalizaram US$ 4,6 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 12,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo levantamento do Observatório da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). O desempenho foi puxado pelos meses de fevereiro e março e revela uma mudança relevante no perfil do produto exportado: as vendas de lagostas não inteiras somaram US$ 2,84 milhões, com alta de 63%, enquanto os embarques de lagostas inteiras recuaram 25%, totalizando US$ 1,74 milhão. "Esse movimento indica uma preferência crescente por cortes específicos e produtos de maior valor agregado, o que tende a exigir adaptação da cadeia produtiva", aponta a análise da Fiec.
A Austrália assumiu a liderança entre os compradores, com US$ 2,18 milhões e crescimento de 63%, consolidando-se como o principal destino da lagosta cearense no período. Os Estados Unidos registraram retração, com US$ 986 mil e queda de 15%, enquanto a China ampliou sua participação para US$ 935 mil, alta de 17%, reforçando o peso crescente do mercado asiático nas exportações do crustáceo. O Ceará é o maior exportador de lagosta do Brasil, respondendo por cerca de 49% das vendas externas nacionais do produto, com a safra ocorrendo anualmente entre maio e outubro.
O resultado positivo do primeiro trimestre ocorre durante o período de defeso da lagosta, quando a pesca é proibida de novembro a abril e apenas a exportação de estoque remanescente é permitida. O crescimento sinaliza aquecimento da demanda internacional em antecipação à safra 2026, que começa oficialmente em maio. O litoral oeste do Ceará, incluindo municípios como Camocim e Acaraú, próximos a Jericoacoara, figura entre as regiões de maior tradição na pesca artesanal do crustáceo no estado.
Exportação de lagosta do Ceará cresce 12,9% no 1º trimestre com Austrália como principal destino
