O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu suspender a decisão de André Mendonça que havia afastado o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada. A decisão, desta quarta-feira (9), ocorreu após Flávio Dino ter determinado o retorno do delegado ao cargo.

RISCO DE "TUMULTO PROCESSUAL"

Andrei Rodrigues foi intimado a prestar informações em até 48 horas, caso queira. Na decisão, Fachin alertou que as deliberações de Mendonça e Alexandre de Moraes causavam "risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual". "É grave o quadro em que decisões de ministros passam a ser desafiadas horizontalmente", afirmou.

A Segunda Turma do STF havia formado maioria, na terça-feira (8), para o afastamento de Rodrigues, com votos de Mendonça, Luiz Fux e Kássio Nunes Marques. Gilmar Mendes havia pedido vista. Com a suspensão do afastamento, a decisão de Dino que determinou o retorno do delegado também foi anulada.

MORAES SAI DA RELATORIA DAS FAKE NEWS

Fachin também decidiu retirar Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news, aberto pela Corte em 2019. As decisões já tomadas por Moraes no processo foram preservadas, e o conteúdo do inquérito foi remetido à própria presidência do STF.

ENTENDA A CRISE

A crise emergiu na semana passada, quando Mendonça retirou o sigilo de relatório da PF com mensagens supostamente enviadas por Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero, citando Moraes e o procurador-geral Paulo Gonet. Moraes negou as acusações e incluiu Mendonça no inquérito das fake news. Em resposta, Mendonça afastou Rodrigues e Almada e suspendeu relatórios de inteligência da PF, o que gerou reação interna na corporação, com diretores colocando cargos à disposição.