Quatro meses após a reabertura, o Farol do Mucuripe, em Fortaleza, ainda não conta com programação cultural ou gestão compartilhada com a comunidade, mas a Secretaria da Cultura do Ceará (Secult-CE) prevê que ambas as iniciativas sejam implementadas ainda no primeiro semestre deste ano. A decisão de transformar o patrimônio histórico, tombado pelo Iphan e estampado na bandeira do estado, em um equipamento cultural ativo foi tomada durante a própria reforma do espaço, concluída em outubro de 2025.
De acordo com Viana Júnior, Chefe de Gabinete da Secult-CE, os primeiros meses após a reabertura foram dedicados a reuniões de um Grupo de Trabalho (GT) com organizações e coletivos da comunidade do Grande Mucuripe, região que concentra museus orgânicos, associações e pontos de cultura. O passo seguinte será a formalização de um contrato de gestão compartilhada, que servirá como base para a programação, incluindo exposições sobre a história do farol, visitas mediadas, apresentações artísticas, rodas de conversa, feiras de economia criativa e ações educativas.
Moradores e lideranças locais, porém, apontam problemas que precisam ser resolvidos. O turismólogo Diego Di Paula, idealizador do Acervo Mucuripe, critica o horário de funcionamento restrito, das 9h ao meio-dia e das 13h às 17h, que impede visitas ao nascer e ao pôr do sol. Ele também destaca sinais de oxidação em calhas e degraus, ausência de acessibilidade e a falta de qualquer conteúdo expositivo interno. O Farol é bem tombado pelo Iphan, o que impõe limitações a intervenções estruturais, como a instalação de elevadores ou rampas. A próxima reunião do GT ainda não tem data definida.
Farol do Mucuripe terá programação cultural e gestão compartilhada no 1º semestre de 2026
