Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou uma proposta de distribuição gratuita de celulares e acesso à internet para mulheres e idosos durante uma live realizada ontem (17). O senador e pré-candidato à Presidência afirmou que a medida pode alcançar até 70 milhões de mulheres sem condições financeiras de adquirir os aparelhos. A equipe de pré-campanha detalhou que o programa garantiria "pacotes de internet para que nenhuma mulher deixe de estudar, se capacitar, buscar emprego, empreender, denunciar casos de violência ou cuidar da sua família por falta de conexão". Flávio citou contatos já realizados com operadoras de telefonia. "A gente já conversou inclusive com operadores de telefonia móvel que teriam todo interesse de auxiliar o governo para garantir o acesso a 70 milhões de mulheres com celulares", declarou.
O pré-candidato não explicou como o programa seria financiado. Flávio também não detalhou se a participação das operadoras envolveria subsídio dos contribuintes, incentivos fiscais ou fornecimento gratuito pelas próprias empresas, limitando-se a dizer que a ideia "está no nosso horizonte". Dados da Secretaria Nacional de Renda e Cidadania indicam que 28.716.650 mulheres estão cadastradas no Bolsa Família. Se o governo comprasse um smartphone básico, avaliado em R$ 700, para cada uma dessas beneficiárias, o custo seria de R$ 20,1 bilhões, sem contar os pacotes de internet.
A live foi realizada ao lado de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e integrante do núcleo econômico da pré-campanha. Marques endossou a proposta sem comentar como ela se compatibiliza com sua agenda liberal, que defende menor intervenção do Estado e controle de gastos. Principal assessora econômica de Paulo Guedes no governo Bolsonaro, Daniella é cotada para compor a chapa de Flávio como vice ou, em caso de vitória, assumir o Ministério da Fazenda.
