Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) trocaram acusações e defenderam propostas no último debate antes do segundo turno, promovido pela TV Globo na sexta-feira (23). O momento de maior tensão veio depois de Flávio dizer que o presidente "dá com uma mão e tira com nove dedos". Lula, que perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em acidente de trabalho quando era torneiro mecânico, respondeu que Flávio teria de pedir desculpa. Flávio pediu desculpas, disse que não queria ofendê-lo e depois repudiou a forma como Lula se referiu a ele durante a resposta. Veja como era a programação do debate.
MORADORES DE RUA E POLÍTICAS SOCIAIS
Flávio disse que a população de rua dobrou no governo Lula. Segundo o Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, havia 365,8 mil pessoas nessa situação em dezembro de 2025, alta de 55% sobre 2022, e não de 100%. Pesquisadores afirmam que parte do aumento pode vir de mudanças na metodologia de contagem e da inclusão de vulneráveis em políticas sociais.
Lula perguntou a Flávio sobre o voto contrário à ampliação da licença-maternidade, quando era deputado estadual no Rio. Flávio reconheceu o voto, disse que estava errado e que hoje defende mais de 180 dias. Lula também lembrou postagens antigas em que Flávio chamou o Bolsa Família de "bolsa-farelo". Flávio disse que vai manter e ampliar os benefícios.
ENDIVIDAMENTO E SUS
Flávio cobrou de Lula o endividamento das famílias e citou a dívida de R$ 11 trilhões, referência à Dívida Bruta do Governo Geral. Propôs usar a Caixa Econômica Federal para comprar dívidas dos bancos e refinanciá-las. Lula respondeu que o problema é a política de juros do Banco Central e que já enviou ao Senado proposta de renegociação.
Sobre o SUS, Lula questionou declarações atribuídas a um integrante da equipe econômica de Flávio de que não haveria investimento. Flávio disse que manterá e ampliará os investimentos, mas criticou filas e o financiamento, e defendeu aumentar a tabela de procedimentos.
