O anúncio do senador cearense Eduardo Girão (Novo) como candidato a vice-presidente na chapa de Romeu Zema (Novo) marca uma movimentação estratégica para consolidar o espólio da centro-direita e direita no Brasil. Segundo a cientista política Carla Michele Quaresma, embora o nome de Girão agregue peso institucional à chapa, o desafio real da dupla será romper a polarização consolidada entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Para a especialista, a escolha não é apenas uma composição de palanque, mas uma tentativa de expandir o alcance de Zema além das fronteiras de Minas Gerais. "Estamos falando de um senador da República que optou por não disputar a reeleição e que traz capilaridade para a chapa", avalia.

A estratégia do senador busca unificar um campo ideológico hoje fragmentado. A candidatura de Zema, agora com Girão, entra em disputa direta por votos com outros nomes do mesmo espectro, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o próprio Flávio Bolsonaro. No cenário local, a movimentação de Girão retira uma liderança de peso da disputa estadual, forçando um rearranjo das forças conservadoras no Ceará.

Nacionalmente, a chapa Zema-Girão se posiciona como um "voto útil" para o eleitor que deseja uma alternativa à atual polarização, mas que, no momento decisivo, tende a manter a coerência ideológica dentro do campo da direita. A aliança também funciona como um termômetro: se Zema e Girão conseguirem converter a insatisfação de parte do eleitorado em votos expressivos no primeiro turno, tornam-se fiéis da balança para definir quem chegará ao Palácio do Planalto em 2027.