O presidente Lula anuncia, nesta sexta-feira (25), a proibição do funcionamento das empresas de apostas eletrônicas, as bets, no país. A decisão ocorre a nove dias do primeiro turno das eleições presidenciais e após semanas de discussão no governo. Segundo aliados, o anúncio será feito em São Paulo.
DE REGULAMENTAÇÃO A PROIBIÇÃO
As apostas online foram autorizadas na gestão Michel Temer (MDB), mas só foram regulamentadas no governo Lula, no fim de 2023. O mercado regulado, com permissão para 85 empresas mediante outorga de R$ 30 milhões, começou a operar em 2025. Até recentemente, o cenário mais provável no governo era de veto aos cassinos online e restrições à publicidade, sem proibição total — mas Lula optou por "cortar o mal pela raiz", segundo relatos de reuniões com a equipe econômica.
O QUE DISSE LULA
Na noite de quarta-feira (23), em evento do setor cultural, Lula afirmou que acabaria com as bets e que os clubes de futebol teriam que aprender a se administrar sem os recursos das casas de apostas. "Nós vamos acabar com as bets, e os times que aprendam a virar times de empresários. Esta não é uma guerra, é uma decisão", disse o presidente, em referência à lei da Sociedade Anônima de Futebol (SAF).
APOIO AOS CLUBES E OPINIÃO PÚBLICA
Segundo integrantes do governo, após o período de restrições eleitorais também devem ser anunciadas medidas de amparo aos clubes, como aumento de crédito ou renegociação de dívidas, já que o futebol é um dos setores que mais pressiona pela permanência das bets. Pesquisa Datafolha de maio mostrou que 57% dos brasileiros veem as apostas online como vício, e 31% as consideram perda de dinheiro — um estudo da FEA-USP já havia estimado que as bets retiraram até R$ 141 bilhões da economia em 2025.
