O Ministério da Saúde anunciou hoje a suspensão temporária da imunização contra a dengue com a vacina do Butantan após o registro de duas mortes suspeitas entre os vacinados. Foram aplicadas 500 mil doses até 30 de maio, período em que foram notificados 3.703 eventos adversos, 0,7% do total, dos quais 42 casos apresentaram sinais de alarme e foram classificados como graves, representando 0,008% dos imunizados. Entre os três casos graves, dois resultaram em óbito: uma mulher de 48 anos que desenvolveu meningoencefalite 19 dias após a vacina, e um homem de 58 anos que evoluiu para dengue grave com choque refratário cinco dias após a vacinação. O ministro Alexandre Padilha afirmou que não há dados suficientes para estabelecer causalidade entre a vacina e as mortes. A Anvisa notificou o instituto e deve convocar comitê de especialistas para investigação epidemiológica.

A Butantan-DV é a primeira vacina do mundo contra dengue aplicada em dose única e a primeira totalmente brasileira. A imunização priorizou profissionais de saúde, que receberam 417 mil das 500 mil doses. As outras 83 mil foram distribuídas em Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), sem relatos de eventos adversos nessas regiões. O Butantan destacou que a vacina tem eficácia global de 79,6% e 89% contra a dengue grave, comprovada em estudo publicado na revista Nature.

A suspensão não afeta a vacina Qdenga, da Takeda, disponível gratuitamente no SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Quem recebeu a Butantan-DV nos últimos 21 dias deve acompanhar possíveis reações como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos ou sonolência intensa e notificar a secretaria de saúde local.