O Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Ceará aprovou na última quarta-feira (3), por unanimidade, o reconhecimento do Ofício das Rendeiras de Bilro do Ceará como Patrimônio Imaterial do Estado, inaugurando o Livro de Saberes do Ceará. A decisão ocorreu durante a segunda reunião extraordinária do Coepa, presidida pela secretária da Cultura, Gecíola Fonseca, e contou com a apresentação do Dossiê conclusivo sobre a patrimonialização do ofício, elaborado pelos técnicos da Célula de Patrimônio Cultural Imaterial da Secult. Um dos três documentários produzidos em parceria com o MIS Ceará sobre as mestras rendeiras, Tesouros Vivos do Ceará, também foi exibido. "Esse é o resultado de um processo de patrimonialização que contou com a participação ativa das detentoras do bem cultural. Esta conquista protege o saber fazer, que ficará documentado no Dossiê Conclusivo", destacou Gecíola Fonseca.

A patrimonialização é resultado de um processo que envolveu seminários, escuta ativa das rendeiras e pesquisa técnica ao longo de 2025 e 2026. O Coepa também sugeriu encaminhar ao IPHAN o pedido de registro do saber fazer a renda de bilro no Ceará como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, ampliando a proteção federal ao ofício. A CEART e o MIS Ceará participaram ativamente do processo, com levantamento de dados sobre rendeiras e produção dos documentários com as mestras.

A renda de bilro é uma das expressões culturais mais tradicionais do litoral cearense, praticada principalmente nas regiões de Aquiraz, Fortaleza e litoral oeste, e transmitida de geração em geração há mais de três séculos. Em 2006, o IPHAN já havia reconhecido a renda de bilro como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Em 2025, a renda de bilro de Aquiraz conquistou também a Indicação Geográfica pelo INPI, a sexta do Ceará.