O senador Flávio Bolsonaro (PL) exibiu nesta quarta-feira (3) um cartaz com a mensagem "O Pix é do Brasil e do Bolsonaro!!!", um dia após o presidente Lula levantar outro que dizia "O Pix é do Brasil!". A disputa política em torno do sistema de pagamentos ganhou força depois que o governo Trump citou o Pix como uma das justificativas para a proposta de tarifa de 25% sobre empresas brasileiras. Os EUA argumentam que o Banco Central favorece o sistema brasileiro em detrimento de empresas americanas do setor financeiro, classificando o Pix de "campeão nacional" e apontando conflito de interesses no duplo papel do BC como regulador e operador do sistema.

O Pix começou a ser desenvolvido por equipe técnica do Banco Central durante o governo de Michel Temer, em 2018, quando Ilan Goldfajn presidia a autoridade monetária, e foi lançado em novembro de 2020, já na gestão de Jair Bolsonaro, com Roberto Campos Neto à frente do BC. O sistema entrou em plena operação em 16 de novembro de 2020, colocando o Brasil entre os países com pagamentos instantâneos em funcionamento. Em 2016, o BC já sinalizava o desenvolvimento de uma ferramenta inspirada no Zelle, plataforma similar dos EUA.

A campanha de Lula pretende usar o Pix como bandeira eleitoral, estabelecendo um paralelo com a defesa das urnas eletrônicas no pleito de 2022. A disputa pela paternidade do sistema reflete a instrumentalização política de uma tecnologia que hoje processa mais de 200 milhões de transações por dia e é usada por mais de 160 milhões de brasileiros.