O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, trocou ontem sua equipe de defesa horas após o STF formar maioria para manter sua prisão preventiva. O criminalista José Luís Oliveira Lima assumiu o lugar do advogado Pierpaolo Bottini, e a mudança foi lida em Brasília como sinal de que uma delação premiada é questão de tempo. A avaliação é compartilhada por interlocutores de diferentes espectros políticos, da esquerda à direita, passando pelo Centrão.

A principal dúvida agora é se o acordo será fechado com a PGR ou com a Polícia Federal. Nos bastidores, integrantes do Centrão avaliam que um acordo conduzido pela PF tenderia a ser mais abrangente, com potencial de avançar sobre parlamentares, líderes partidários e até integrantes do Judiciário, incluindo ministros do STF. Um acordo pela PGR seria visto como de escopo mais limitado. Em qualquer dos casos, a colaboração precisará ser homologada pelo relator do caso, ministro André Mendonça.

Segundo a CNN, a PF e a PGR já foram sondadas por interlocutores de Vorcaro sobre a disposição para um eventual acordo. A conversa foi preliminar e visava consultar os investigadores caso o empresário decidisse mudar de posição. Aliados do banqueiro avaliam que ele passou a considerar a delação após a prisão para conter o avanço da investigação sobre familiares e parte do patrimônio. O cunhado Fabiano Zettel também está preso, e o pai, Henrique Vorcaro, foi citado pela PF por ocultar R$ 2,2 bilhões de vítimas do Master em seu nome.