O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou hoje ter pedido dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme biográfico Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em coletiva de imprensa, ao ser confrontado com as revelações do Intercept Brasil, Flávio admitiu ter cobrado o banqueiro pelos repasses, mas defendeu que se tratou de um patrocínio privado para um produto cultural privado, sem envolvimento de dinheiro público. "É dinheiro privado", repetiu o senador três vezes. A campanha de Flávio divulgou nota afirmando que o primeiro contato com Vorcaro ocorreu em dezembro de 2024, quando não havia acusações públicas contra o banqueiro, e que o senador "não ofereceu vantagens em troca, não promoveu encontros privados fora da agenda e não intermediou negócios com o governo."

O Intercept Brasil divulgou mensagens e um áudio no qual Flávio cobra Vorcaro pelos atrasos nos pagamentos. Na gravação, o senador diz: "Eu fico sem graça de ficar te cobrando. Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel... ia ser muito ruim." Documentos obtidos pelo veículo mostram que Vorcaro se comprometeu a pagar US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, ao longo de 14 parcelas, dos quais ao menos R$ 61 milhões foram efetivamente transferidos entre fevereiro e maio de 2025, antes da prisão do banqueiro em novembro. Em uma das mensagens divulgadas, enviada por Flávio em 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso, o senador escreveu: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!"

A revelação amplia o escopo político do Caso Master e coloca Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula nas pesquisas presidenciais, no centro de um novo escândalo às vésperas das eleições de outubro. O filme tem estreia anunciada para 11 de setembro de 2026, semanas antes do primeiro turno.