O senador Camilo Santana (PT) afirmou, em entrevista ao Diário do Nordeste em Brasília, que não existe veto ao nome do deputado federal Júnior Mano (PSB) para o Senado, mas declarou considerar Cid Gomes o nome mais forte para ocupar uma das vagas na chapa governista de 2026. "É claro que o nome do senador Cid, que foi governador duas vezes e é senador, é mais forte. Por isso que, tanto dentro do partido como eu particularmente, defendo que seja o nome dele", disse. Camilo ressaltou que a decisão ainda não está tomada e dependerá de negociação entre os aliados até as convenções partidárias, previstas para julho e agosto. As únicas definições consolidadas, segundo ele, são as candidaturas de Elmano à reeleição e de Lula à presidência.

O impasse é um dos pontos mais sensíveis da formação da chapa governista. Cid havia firmado compromisso com Júnior Mano de apoiar sua candidatura ao Senado, mas aliados do governo pressionam pelo retorno do senador à disputa, considerado mais competitivo eleitoralmente. Júnior Mano reagiu às declarações de Camilo: "Quem tem que topar é o governador. Ou é Camilo o candidato?", questionou em fala a colunistas. Mano também rebateu a posição de Camilo com ironia: "Ele não combinou com o Cid", disse, reforçando que sua pré-candidatura segue firme com base no acordo firmado com o senador pessebista.

Nos bastidores, o cenário tem uma lógica de interdependências: Elmano depende de Camilo, que depende de Cid, que depende de Mano, que controla uma rede de prefeitos essencial para a eleição proporcional do PSB. Forçar a saída de Mano sem compensação pode provocar ruptura e migração de gestores municipais. Camilo também citou a vice-prefeita de Fortaleza, Gabriella Aguiar (PSD), como "grande nome" ventilado para compor a chapa, sinalizando que uma das vagas pode ser reservada a uma mulher.