O projeto da Etice de utilizar o Cinturão Digital do Ceará para atrair data centers ao interior ganhou respaldo técnico em estudo do especialista sênior do Banco Mundial, Luciano Charlita de Freitas, apresentado na última sexta-feira (22) na Universidade de Brasília. A iniciativa consiste na ativação de sete pares de fibra óptica para estimular investidores a instalarem infraestruturas de dados em municípios com geração de energia solar ou eólica. Para Charlita, a fibra óptica é a "regra de ouro" para garantir baixa latência e alta capacidade de tráfego: sem ela, o deslocamento do investimento de centros globais como Fortaleza para o interior torna-se inviável. O Cinturão Digital conta com 5.942 km de fibra óptica em 139 municípios, e Fortaleza já recebe 16 cabos submarinos, tornando o Ceará o principal destino de data centers no Brasil.
A fibra também viabiliza data centers de borda (edge computing), que processam dados próximos ao consumidor final, permitindo que moradores do interior usem serviços de inteligência artificial sem que a informação viaje até a capital. O mercado nacional de data centers cresce 20% ao ano, com projeção de US$ 300 bilhões em faturamento até 2030, sendo a energia o principal fator de custo para os investidores.
O especialista alertou que o programa federal Redata, criado para posicionar o Brasil como hub global de dados, está "adormecido" por conta da agenda política, enquanto concorrentes como a Índia avançam no mesmo segmento. Para o Ceará, a interiorização via Cinturão Digital representa uma oportunidade de descentralizar investimentos e ampliar o desenvolvimento econômico regional.
Ceará aposta no Cinturão Digital para atrair data centers ao interior com fibra óptica
