A estudante cearense Maria Beatriz Ximenes, a Mabe, de 16 anos, conquistou uma das quatro vagas da delegação brasileira na Olimpíada Ibero-Americana de Física, prevista para o segundo semestre em João Pessoa. Ela é a única mulher na seleção nacional, feito que alcançou após obter a 12ª colocação e a medalha de prata na Olimpíada Brasileira de Física. Natural de Sobral, a jovem, que cursa o 3º ano do ensino médio em Fortaleza, relatou que a trajetória feminina nas competições científicas de exatas é solitária e, em vários momentos, psicologicamente desafiadora.

"Sinto um orgulho muito grande de ter conseguido chegar aqui, mesmo com todos esses muros invisíveis, só fico triste de não ver outras meninas", disse Mabe ao Diário do Nordeste. Ela conta que uma colega desistiu durante a fase preparatória por conta do ambiente predominantemente masculino, e que chegou perto de abandonar a jornada ela mesma, no fim de 2025, pelo cansaço mental acumulado. A decisão de continuar foi motivada pelo desejo de se tornar referência para outras garotas. "Sou a primeira de muitas", afirma.

A paixão pela Física nasceu antes do ensino médio, quando Mabe percebeu que a disciplina combinava suas duas matérias preferidas: matemática e ciência. Para se preparar em alto nível, ela deixou a unidade da Farias Brito em Sobral e se transferiu para Fortaleza, a mais de 220 quilômetros de distância. Seu professor, Cadu Farias, destaca a maturidade excepcional da aluna, comparável à de estudantes de graduação ou pós-graduação. Mabe planeja usar as olimpíadas como trampolim para estudar fora do país e cursar Computação Quântica.