O pré-candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), afirmou que continua considerando como "motim" o movimento de policiais militares liderado pelo hoje aliado Capitão Wagner. A declaração foi dada em entrevista à TV Russas, durante visita ao município, onde recebeu o título de cidadão honorário na última sexta-feira (3). "Algumas coisas eu continuo pensando a mesma coisa. A motivação ali era o motim da polícia. Eu tenho uma opinião clara de que isso não deve ser a linguagem para consertar qualquer direito que seja", afirmou. No entanto, Ciro disse que se arrepende da forma como reagiu às críticas de Wagner ao irmão Cid Gomes. "Eu não quis escutar os argumentos dele, porque ele passou a atacar o Cid e eu tinha esse amor cego pelo Cid. Acabava defendendo o Cid e atacando o Wagner no pessoal", disse. "Quando eu chego à conclusão de que falei uma bobagem, eu peço desculpa. Não me custa nada."
A declaração representa uma inflexão no discurso de Ciro, que nos últimos anos protagonizou confrontos públicos com Wagner. Em fevereiro de 2020, durante o motim da PM, Cid Gomes dirigiu uma retroescavadeira contra um bloqueio de policiais amotinados em Sobral e foi baleado. Na época, Wagner declarou que concederia uma condecoração ao policial responsável pelo disparo caso fosse governador, aprofundando o rompimento entre os dois grupos políticos.
Nos últimos meses, Ciro e Wagner passaram a atuar juntos na construção de uma frente de oposição ao grupo liderado pelo governador Elmano de Freitas e pelo senador Camilo Santana. A visita a Russas integra a agenda de articulação da aliança no Vale do Jaguaribe, região estratégica para a campanha da oposição no interior do Ceará.
