Três anos e meio após a eleição presidencial mais disputada desde a redemocratização, a polarização brasileira segue enraizada: 91% dos eleitores afirmam não se arrepender do voto dado no segundo turno de 2022, segundo pesquisa Datafolha divulgada ontem. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro com 50,9% dos votos contra 49,1%, em um pleito que dividiu o país. O percentual de não arrependimento é praticamente idêntico entre os dois campos: 89% dos eleitores de Lula mantêm sua escolha, enquanto 11% dizem ter se arrependido. Entre os eleitores de Bolsonaro, o índice de fidelidade é ainda maior: 94% não se arrependem, contra apenas 6% que admitem ter mudado de opinião. Os números são estáveis em relação a abril, quando 90% da amostra total declarou não se arrepender do voto presidencial de 2022.
O resultado reforça a percepção de que a polarização no eleitorado brasileiro não é superficial nem conjuntural, mas está consolidada em identidades políticas resistentes ao tempo e às crises. Mesmo após episódios como os ataques de 8 de janeiro, a condenação de Bolsonaro e o escândalo Dark Horse, que envolve o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o campo bolsonarista mantém coesão interna elevada. No campo petista, a estabilidade também é alta, apesar do desgaste do governo e do desempenho nas pesquisas de intenção de voto para outubro de 2026.
O Datafolha entrevistou 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais nos dias 12 e 13 de maio, em 139 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o código BR-00290/2026 e integra o mesmo levantamento que apontou empate técnico de 45% a 45% entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial de 2026.
Datafolha: 91% dos eleitores não se arrependem do voto em Lula ou Bolsonaro em 2022
