Parte significativa dos eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro é classificada ideologicamente em campos opostos aos de seus candidatos, segundo a matriz ideológica do Datafolha. Entre os que declaram voto em Lula, 24% aparecem à direita ou centro-direita. Entre os de Flávio, 19% estão à esquerda ou centro-esquerda. A classificação não é autodeclaração: é calculada pelo instituto a partir de 16 perguntas sobre comportamento, valores e economia. No eleitorado de Lula, a distribuição é de 24% na esquerda, 36% na centro-esquerda, 16% no centro, 19% na centro-direita e 5% na direita. Entre os de Flávio: 25% na direita, 38% na centro-direita, 17% no centro, 15% na centro-esquerda e 3% na esquerda. No quadro geral, a identificação dos brasileiros com a direita ou centro-direita (44%) voltou a superar a esquerda ou centro-esquerda (39%).
A pesquisa revela contradições internas nos dois eleitorados. Cerca de 34% dos eleitores de Flávio defendem a proibição da posse de armas, posição contrária a uma das principais bandeiras do PL. Já 26% dos eleitores de Lula consideram que as leis trabalhistas mais atrapalham do que protegem, enquanto o governo aposta no fim da escala 6x1 como trunfo eleitoral. Em ambos os lados, a maioria defende que adolescentes que cometem crimes sejam punidos como adultos (61% entre os de Lula e 81% entre os de Flávio) e que o governo deve ajudar grandes empresas que corram risco de falência.
O Datafolha ouviu presencialmente 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios, nos dias 17 e 18 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-09956/2026.
