Um estudo conduzido pela Universidade Federal do Ceará sobre o capacete Elmo, tecnologia desenvolvida no estado durante a pandemia de Covid-19, foi publicado na revista científica Chest, uma das mais respeitadas do mundo na área de pneumologia. A pesquisa analisou dados de 1.685 pacientes internados em estado grave e aponta que 63% deles não precisaram ser intubados após o uso do equipamento. A mortalidade hospitalar registrada foi de 24%, concentrada principalmente nos casos que evoluíram para intubação endotraqueal, procedimento mais invasivo associado a quadros mais graves.

O estudo identificou os principais fatores que influenciam o sucesso ou a falha do tratamento com o capacete. Pacientes mais jovens e com melhor oxigenação no momento do início do uso tiveram maior chance de evitar a intubação, enquanto idade avançada, comorbidades e alterações em marcadores laboratoriais estiveram associadas a maior risco de agravamento. Respostas fisiológicas positivas nas primeiras horas de uso foram consideradas um indicativo importante de evolução favorável. A pesquisa reforça a aplicabilidade do equipamento em ambientes com recursos limitados, contexto frequente em regiões como o interior do Nordeste.

Idealizado pelo médico Marcelo Alcântara, o Elmo foi aprovado pela Anvisa no fim de 2020 e utilizado em larga escala durante os momentos mais críticos da pandemia. Desenvolvido a partir da articulação entre universidades, governo e setor produtivo no Ceará, o equipamento já havia recebido o Prêmio Latino-Americano de Saúde em 2023. A publicação na Chest consolida a inovação cearense como referência científica internacional no campo do suporte respiratório.