O governo do presidente Donald Trump prepara para os próximos dias o anúncio oficial da designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A documentação sobre as duas facções brasileiras já foi concluída pelo Departamento de Estado e recebeu aval de diversas agências do governo americano, seguindo o mesmo modelo aplicado anteriormente ao Cartel de Jalisco, do México, e ao Tren de Aragua, da Venezuela. Após análise final do secretário de Estado Marco Rubio, o material deverá ser enviado ao Congresso e publicado no Registro Federal, etapa que pode levar cerca de duas semanas para ser concluída.
A designação como organização terrorista implica uma série de consequências automáticas: congelamento de ativos dos integrantes dos grupos sob jurisdição americana, exclusão do sistema financeiro dos EUA, proibição de fornecimento de qualquer apoio material por cidadãos ou empresas norte-americanas e restrições migratórias para pessoas associadas às facções. O enquadramento também abre brecha jurídica para que os EUA realizem operações de inteligência e, em tese, ataques contra alvos classificados como narcoterroristas em território estrangeiro. O chanceler brasileiro Mauro Vieira tomou conhecimento do avanço da proposta em Washington e tenta estabelecer contato com Rubio desde o último sábado (7), sem confirmação de que o diálogo tenha ocorrido.
O governo brasileiro se opõe à medida, argumentando que PCC e Comando Vermelho são organizações criminosas voltadas ao lucro, sem motivação política ou ideológica, o que não se enquadraria na definição de terrorismo. A classificação, no entanto, já encontrou apoio em países vizinhos: Argentina e Paraguai oficializaram o reconhecimento das facções como terroristas. Nos bastidores, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro teria atuado junto aos presidentes Javier Milei e Nayib Bukele para pressionar o governo americano a avançar com a medida. A decisão americana deve também complicar a agenda do presidente Lula, que pretendia visitar Trump em março, mas até agora sem data confirmada.
EUA preparam designação do PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras
