A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) divulgou nota ontem com críticas à revogação da taxa sobre compras internacionais de até US$ 50, classificando a decisão do governo federal como "equivocada" e um retrocesso para a indústria e o comércio nacionais. A medida amplia a desigualdade concorrencial entre empresas brasileiras e fornecedores internacionais. "A retirada da tributação sobre compras internacionais enfraquece ainda mais a competitividade do setor produtivo nacional, além de colocar em risco empregos formais e investimentos estratégicos para o desenvolvimento econômico do País", afirmou a Fiec. A posição cearense se alinha à da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que também classificou a medida como retrocesso e alertou para impactos sobre micro e pequenas empresas do setor têxtil.

Dados da CNI indicam que a taxa havia impedido a entrada de R$ 4,5 bilhões em produtos importados desde 2024, preservando mais de 135 mil empregos e quase R$ 20 bilhões na economia. No Ceará, o economista Paulo Henrique Arruda, do Corecon-CE, alertou para o impacto no mercado local: "As pessoas vão consumir mais em plataformas e menos no mercado interno. E o mercado cearense é baseado em calçado e têxtil." A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) classificou a medida como "um ataque direto à indústria, ao varejo nacional e aos 18 milhões de empregos gerados no Brasil."

O ICMS estadual permanece, com alíquota de 20% no Ceará, de modo que o desconto para o consumidor final será parcial. Analistas divergem: parte vê a medida como positiva para o consumo e a inflação, enquanto outros alertam para desindustrialização em setores de baixo valor agregado, especialmente têxtil e calçados.