O governo federal propôs um salário mínimo de R$ 1.717 para 2027, o que representa um aumento nominal de 5,92%, ou R$ 96 a mais em relação ao piso atual de R$ 1.621. A projeção consta do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, enviado ontem ao Congresso Nacional dentro do prazo limite. O reajuste segue a política de valorização do salário mínimo adotada pelo governo Lula, com o piso corrigido anualmente pela inflação medida pelo INPC acumulado até novembro, somada ao crescimento do PIB de dois anos antes, dentro dos limites do arcabouço fiscal. O cálculo para 2027 considera projeção de 3,06% para o INPC mais o crescimento de 2,3% da economia em 2025. O projeto também traz projeções preliminares de R$ 1.812 para 2028, R$ 1.913 para 2029 e R$ 2.020 para 2030.
O PLDO prevê ainda superávit primário de 0,5% do PIB em 2027, equivalente a R$ 73,2 bilhões, com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual. A meta é mais ambiciosa que a deste ano, quando o objetivo é alcançar superávit de 0,25% do PIB. O governo traça uma trajetória de recuperação fiscal até 2028, quando projeta superávit de 1% do PIB. As projeções macroeconômicas do documento apontam crescimento do PIB de 2,56%, inflação de 3,04% e Selic acumulada de 10,55% ao ano para 2027. O limite total de despesas públicas para o próximo ano é de R$ 2,54 trilhões, dentro do teto do arcabouço fiscal que prevê crescimento real de até 2,5% ao ano.
O projeto será analisado pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) e votado em sessão conjunta do Congresso até 17 de julho. Como o salário mínimo serve de referência para aposentadorias, pensões e benefícios sociais, cada reajuste impacta diretamente as despesas públicas. Desde 2024, o crescimento real do mínimo está restrito à faixa entre 0,6% e 2,5% ao ano, conforme as regras do arcabouço fiscal aprovado no fim daquele ano.
Governo federal prevê salário mínimo de R$ 1.717 em 2027 com aumento de 5,9%
