O deputado federal Júnior Mano (PSB) afirmou nesta segunda-feira (8) que não será influenciado pela pressão interna do PSB e do governo Elmano de Freitas pela retirada de sua pré-candidatura ao Senado em favor de Cid Gomes. "Não sou influenciado por pressão", declarou o parlamentar, em entrevista à imprensa, revelando também que nem o governador Elmano nem o senador Camilo Santana o procuraram diretamente para tratar do impasse. Mano confirmou que esteve recentemente com Cid em evento em Crateús e que o senador mantém seu compromisso de apoiá-lo. A declaração contrasta com a articulação em curso nos bastidores do PSB, onde a "maioria absoluta" do partido, segundo o presidente da Alece, Romeu Aldigueri, quer Cid como candidato à reeleição por considerá-lo eleitoralmente mais forte.

O impasse é um dos pontos mais sensíveis da formação da chapa majoritária governista para outubro. Cid admitiu publicamente que pode disputar a reeleição, mas condicionou qualquer movimentação ao aval de Júnior Mano, que tem seu apoio para a vaga. Na prática, o senador transfere a Mano a responsabilidade pela decisão, enquanto o governo evita enfrentar diretamente o deputado por receio de perder sua rede de prefeitos aliados, fundamental para a campanha proporcional do PSB e para a eleição de Elmano. O governo teme que forçar a saída de Mano da chapa sem compensação resulte em ruptura e migração da tropa de gestores.

Mano manteve agenda intensa no feriadão de Corpus Christi, participando de eventos em pelo menos seis municípios com ares de pré-campanha, incluindo a festa de aniversário de Pires Ferreira ao lado do próprio Cid, sinal lido pelos aliados como recado de que não pretende recuar. A composição da chapa majoritária deve ser definida nas convenções de julho e agosto.