Os aliados de Ciro Gomes (PSDB) querem evitar nacionalizar a eleição do Ceará e apostam que o tucano poderá ser apoiado por eleitores de todo o espectro político na disputa estadual. "Brasília é Brasília, Ceará é Ceará. Nós vamos discutir o Estado do Ceará. Ciro terá apoio de lulistas, bolsonaristas, caiadistas e aecistas, porque o povo do Ceará precisa de um projeto novo", afirmou ontem (9) o líder do PSDB na Alece, deputado estadual Cláudio Pinho. A declaração foi feita horas antes do anúncio de Aécio Neves descartando concorrer à Presidência, o que deixou o PSDB sem candidato ao Planalto. Cláudio Pinho adiantou que, sem candidato próprio, a tendência é que o partido libere seus filiados para votar conforme as conveniências de cada um na disputa presidencial.
Ciro tem evitado se associar tanto a Lula (PT) quanto a Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidatos dos dois campos na corrida ao Planalto. A estratégia é manter a campanha estadual descolada da nacional para atrair eleitores de ambos os lados. O deputado Cláudio Pinho foi questionado sobre a volta de Mauro Filho (União), aliado histórico de Ciro e coordenador de seu plano de governo, à vice-liderança do governo Lula na Câmara. O tucano usou o fato para reforçar a separação entre os cenários. "Ciro vai administrar o Estado do Ceará com qualquer presidente da república que esteja de plantão", afirmou.
A estratégia tucana é oposta à petista. Na semana passada, o ministro José Guimarães (PT) disse que a vinculação de Ciro ao bolsonarismo é uma das questões que precisam "ser vistas com urgência" na campanha de reeleição de Elmano. Enquanto o PT busca nacionalizar o debate, associando Ciro ao PL e a Flávio Bolsonaro, o PSDB aposta em descolar a eleição estadual da polarização Lula-Bolsonaro.
