O presidente Lula (PT) anunciou hoje, durante cerimônia em Sergipe, que vai reenviar ao Senado a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga do Supremo Tribunal Federal. A indicação foi rejeitada no dia 29 de abril, há exatamente um mês, por 42 votos contrários e 34 favoráveis. A aprovação exigia ao menos 41 votos favoráveis. Foi a primeira rejeição de uma indicação ao STF em 132 anos. "Não foi por incompetência jurídica, mas porque ele não tem ficha suja, homem íntegro, mas derrotado pela política, e o que vai acontecer? Vou mandar o Messias outra vez", disse Lula. O presidente não informou a data em que formalizará o reenvio da indicação.

A vaga em disputa foi deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso, que antecipou a aposentadoria em outubro do ano passado. Após a rejeição no plenário, a indicação foi arquivada, obrigando Lula a enviar formalmente um novo pedido de apreciação. Durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça, onde foi aprovado por 16 votos a 11, Messias se colocou contrário ao aborto e criticou decisões individuais do STF. A indicação nunca agradou o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, que levou cinco meses para pautar a votação. O estopim do descontentamento teria sido uma reunião entre Lula e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, onde o presidente tentou convencer Pacheco a disputar o governo de Minas Gerais para viabilizar a indicação de Messias à vaga.