Em vídeo de 15 minutos divulgado nesta quarta-feira (24), Michelle Bolsonaro fez críticas diretas a Flávio Bolsonaro e detalhou o impasse interno do PL no Ceará. A ex-primeira-dama afirmou que o senador a desrespeitou, maltratou e não atendia seus telefonemas, e disse que, ao retornar a ligação, Flávio declarou que "seria melhor que ela ficasse fora das decisões do partido" e que ela "havia chegado ontem e não entendia nada de política". Michelle também contestou a aliança do PL cearense com Ciro Gomes e cobrou maior apoio à candidatura de Priscila Costa ao Senado. Segundo ela, Jair Bolsonaro havia autorizado pessoalmente o apoio ao senador Eduardo Girão ao governo e determinado que Priscila seria candidata ao Senado. "Ele disse: Priscila será candidata. O número 222 deverá ser dado a ela. Não é vago, não é interpretável, é um desejo, é uma ordem do líder", afirmou. Não honrar essa determinação, disse ela, seria "um ato de traição" à liderança de Bolsonaro.

Michelle relatou que seus planos foram atropelados pela decisão da cúpula do PL de fechar aliança com Ciro, e que internos se aproveitaram da prisão de Bolsonaro para tentar isolar Priscila da disputa. "Se o André queria agradar o Ciro, por que ele não ofereceu a vaga do seu próprio pai? Será que acha que retirar a vaga de uma mulher seria mais justo e fácil?", questionou. A ex-primeira-dama também relembrou ataques históricos de Ciro ao marido. "Ele chamou o meu marido de ladrão de galinhas, de corrupto, de burro. Disse que os filhos do meu marido eram corruptos. Eu não vou trocar valores por pragmatismo político oportunista", disse.

O vídeo aprofunda a crise interna do PL cearense, que enfrenta disputa entre Alcides Fernandes e Priscila Costa pela vaga ao Senado, em meio à indefinição sobre a aliança com Ciro Gomes. Michelle concluiu que não pretende impedir o pragmatismo político dos aliados, mas não abrirá mão de sua coerência com os valores conservadores que defende.