A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou na última terça-feira (19) a contrariar publicamente a decisão do PL Ceará de apoiar a pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do estado. Em evento em Brasília de lançamento da pré-candidatura de Maria Amélia (PL) à deputada federal do Distrito Federal, Michelle reafirmou apoio ao senador Eduardo Girão (Novo) e disparou: "Senador Girão, conte com meu apoio. Estou com o senhor. E, se tiver que perder, vamos perder com dignidade, mas a gente não vai fazer aliança com o mal. Aqui não é projeto de poder, aqui é transformação e libertação para o nosso povo." Sem citar Ciro pelo nome, a indireta foi interpretada como uma crítica direta ao ex-governador, com quem o PL cearense fechou acordo após o aval do presidente estadual do partido, o deputado André Fernandes. Na mesma ocasião, Girão estava ao lado de Michelle no palco.

O racha expõe a divisão interna do PL sobre o Ceará: enquanto o diretório estadual, liderado por André Fernandes, avançou com a aliança com apoio de Flávio Bolsonaro, Michelle mantém posição contrária e age de forma autônoma em relação ao campo bolsonarista. A ex-primeira-dama também ignorou no discurso o enteado Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência pelo PL, evitando qualquer menção ao caso Master, que envolve o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Sobre o ministro Alexandre de Moraes, chamou-o de "irmão em Cristo", numa virada de tom inusitada.

O acordo do PL com Ciro inclui o apoio ao pastor Alcides Fernandes, pai de André Fernandes, como candidato ao Senado pela chapa de oposição. A posição de Michelle não altera formalmente a decisão partidária, mas aumenta o ruído interno e pode fragilizar a coesão da base bolsonarista em torno do apoio a Ciro, especialmente no eleitorado mais fiel à ex-primeira-dama.