O ministro Alexandre de Moraes, do STF, marcou para o dia 28 de julho, às 14h, o depoimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na investigação que apura o crime de calúnia contra o presidente Lula (PT). Em 7 de julho, Moraes havia determinado que o depoimento ocorresse em até dez dias. A defesa de Flávio pediu adiamento do prazo alegando agenda atribulada de pré-campanha, com "inúmeras viagens, deslocamentos e compromissos", mas o pedido foi negado hoje (17). Moraes afirmou que a defesa não apresentou "qualquer comprovante da impossibilidade" de Flávio ser ouvido no prazo inicialmente estabelecido e designou a data por determinação judicial para "assegurar o regular prosseguimento das investigações".

O inquérito se refere a um post de Flávio na rede social X quando o ditador venezuelano Nicolás Maduro foi capturado. O senador escreveu: "Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas." Moraes autorizou a abertura da investigação em abril. A PF concluiu, no fim de junho, que ficou claro o crime de calúnia, pois o senador "imputou falsamente ao presidente Lula o cometimento dos crimes".

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu que Flávio seja ouvido e mencionou que o depoimento pode permitir até uma retratação por parte do senador, o que seria "capaz de isentar o investigado de pena". A equipe de Flávio argumenta que o procedimento tenta cercear a liberdade de expressão. Rivais na disputa pela Presidência, Flávio e Lula empatam nas intenções de voto em São Paulo segundo pesquisa Datafolha de 8 de julho.