O jornalismo cearense perdeu ontem um de seus maiores nomes. Lúcio Brasileiro, colunista social do jornal O Povo e reconhecido mundialmente como o jornalista diário mais antigo do mundo, faleceu na noite de quinta-feira (23) em Lisboa, Portugal, aos 87 anos, vítima de complicações decorrentes de uma queda sofrida durante viagem pela Europa. Ele estava hospitalizado na capital portuguesa desde o dia 11 de abril, quando deveria seguir rumo a Nice, Barcelona e, por fim, Ibiza, destino que frequentava com regularidade. Natural de Aurora, no Cariri cearense, onde nasceu em 6 de abril de 1939, Lúcio iniciou sua trajetória na imprensa aos 16 anos, no jornal Gazeta de Notícias, e em 2025 completou 70 anos de carreira ininterrupta, marca que o consagrou como referência mundial do jornalismo diário.

A partir de 1968, passou a assinar coluna diária no O Povo, onde permaneceu por décadas como uma das vozes mais respeitadas do colunismo social cearense, também atuando na Rádio O Povo CBN. Seu nome de registro era Francisco Newton Quezado Cavalcante, mas ficou conhecido pelos leitores como Lúcio e pelos amigos espanhóis como Paco. O governador Elmano de Freitas lamentou a perda: "Lúcio Brasileiro foi um dos maiores nomes do jornalismo cearense e brasileiro. Um ícone da profissão, que em 70 anos de carreira uniu informação e opinião com ética e credibilidade." O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, também prestou homenagem, destacando o recorde de colunista há mais tempo na ativa em todo o mundo. Em 2012, Lúcio foi agraciado com a Medalha da Abolição, principal comenda do Governo do Ceará.

Ao longo de mais de sete décadas, Lúcio Brasileiro construiu um estilo próprio de narrar a cidade, transitando pelo rádio, pela televisão e pela imprensa escrita, mas encontrando na coluna diária sua maior expressão. Para Luciana Dummar, presidente institucional do O Povo, ele foi um "símbolo de uma geração, testemunha das grandes mudanças que a sociedade cearense passou." Irmão do jornalista Neno Cavalcante, do Diário do Nordeste, falecido em 2016, Lúcio deixa um legado que se confunde com a própria história da comunicação no Ceará. Não há informações sobre translado do corpo, velório e sepultamento.