A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pela defesa de Daniel Vorcaro, preso preventivamente desde 4 de março por fraudes financeiras no Banco Master. A rejeição foi comunicada ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, e ocorre porque os investigadores avaliaram que Vorcaro não entregou novidades em relação ao que a PF já possui, deixando de fora nomes e episódios considerados estratégicos para as investigações. Um deles é o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que teria recebido mesadas de até R$ 500 mil para defender interesses de Vorcaro no Congresso. Antes da rejeição formal, a PF já havia sinalizado descontentamento com a proposta ao transferir Vorcaro de uma cela especial para uma cela comum dentro da Superintendência da PF em Brasília, na segunda-feira (18).
A rejeição da PF não encerra as negociações. A Procuradoria-Geral da República, titular da ação penal, se reuniu com a defesa de Vorcaro na tarde de ontem e sinalizou interesse em prosseguir com a colaboração, com a condição de que a proposta seja complementada. Três pontos são centrais nas negociações: o ressarcimento de aproximadamente R$ 50 bilhões aos cofres públicos, o regime de cumprimento de pena, já que Vorcaro pede prisão domiciliar pelo menos até o julgamento, e o alcance político da colaboração. O ministro André Mendonça já avisou que não homologará a delação caso haja lacunas ou omissões no acordo. Caso a PGR também rejeite, as negociações devem ser encerradas definitivamente.
Fontes ligadas ao caso apontam que há potencial material para que Vorcaro entregue autoridades do Congresso e do STF, mas temem que as ligações do PGR Paulo Gonet e do advogado José Luís de Oliveira Lima com ministros da Corte possam travar essa possibilidade. A delação de Vorcaro é considerada um dos capítulos mais sensíveis do Caso Master, que já levou à prisão de seu pai, ao afastamento de servidores da PF e expôs o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro no financiamento do filme Dark Horse.
PF rejeita delação de Vorcaro por falta de novidades e PGR segue negociando
