O PT publicou uma carta de aceno ao eleitorado evangélico, divulgada na noite da última segunda-feira (8), após o IV Encontro Nacional de Evangélicos do PT. No texto, o partido afirma que seus governos sempre tiveram "uma postura de respeito e reconhecimento da importância e do papel da Igreja Evangélica". O presidente Lula, apesar de ausente do encontro, enviou a carta. O documento destaca ações implementadas durante os governos petistas, como legislações voltadas à garantia do livre exercício dos cultos, facilitação da criação de igrejas, reconhecimento da música gospel como patrimônio cultural e instituição de datas nacionais ligadas à fé cristã e ao combate à intolerância religiosa. O partido evita entrar em temas ligados à pauta de costumes, como o aborto.

A carta foi divulgada dias após a realização da Marcha para Jesus, em São Paulo, que contou com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. Lula foi representado no evento pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, que é evangélico. O aceno petista ao eleitorado evangélico é estratégico: pesquisas indicam que cristãos evangélicos representam hoje cerca de 30% do eleitorado brasileiro e tendem a votar majoritariamente em candidatos de direita, o que o PT tenta reverter com ações de aproximação desde 2023.

No Ceará, o eleitorado evangélico é relevante especialmente no Cariri e no interior do estado. O pré-candidato ao governo Eduardo Girão (Novo), ele próprio evangélico, tem nessa base um dos seus principais nichos de apoio, assim como o pastor Alcides Fernandes (PL), pré-candidato ao Senado pela chapa de oposição liderada por Ciro Gomes.