O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou neste sábado no Truth Social um apelo para que países aliados enviem navios de guerra ao Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo. Trump citou nominalmente China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido, afirmando esperar que nações afetadas pelo bloqueio iraniano "enviem navios para a região". O presidente declarou que os EUA já destruíram 100% da capacidade militar do Irã, mas alertou que o regime ainda seria capaz de lançar drones, minas ou mísseis de curto alcance para interferir na navegação.

Na mesma publicação, Trump ameaçou bombardear "impiedosamente" o litoral iraniano e afundar continuamente embarcações do país caso o Estreito permaneça bloqueado. Na véspera, ele havia anunciado que a Marinha americana começaria a escortar petroleiros pelo estreito "muito em breve". Os ataques iranianos ao tráfego marítimo são uma resposta à ofensiva conjunta de EUA e Israel iniciada em 28 de fevereiro, que já dura duas semanas. O conflito fez o preço do petróleo subir 37% em duas semanas, com o barril atingindo US$ 103 na sexta-feira, o maior nível desde 2022.

O cenário segue instável. O porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, um dos principais hubs petrolíferos fora do Estreito de Ormuz, suspendeu operações após um ataque de drone neste sábado. Arábia Saudita, Iraque, Emirados e Kuwait reduziram a produção de petróleo em razão do fechamento de fato de Ormuz, enquanto o Catar suspendeu operações de gás natural liquefeito. Trump afirmou que o Irã "está totalmente derrotado e quer um acordo", mas disse que não aceitaria os termos propostos.