A previsão do mercado financeiro para o IPCA passou de 5,09% para 5,11% em 2026, segundo o Boletim Focus divulgado hoje pelo Banco Central. É a décima terceira elevação consecutiva da projeção para a inflação no ano, que segue acima do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Para 2027, a estimativa avançou de 4,02% para 4,03%. A Selic projetada para o fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,5% ao ano, com o mercado precificando juros mais altos diante da pressão inflacionária persistente. Para 2027 e 2028, a previsão é de redução gradual da Selic para 11,5% e 10% ao ano, respectivamente. O próximo encontro do Copom para definir a taxa básica está marcado para os dias 16 e 17 de junho.
A principal força por trás da alta das projeções é o conflito no Oriente Médio, que pressiona o preço do petróleo e dos combustíveis com reflexos em toda a cadeia de preços. O Banco Central informou no documento que está monitorando o conflito e os efeitos de um possível prolongamento sobre a inflação. A estimativa para o crescimento do PIB subiu levemente de 1,90% para 1,91% em 2026, enquanto para 2027 a projeção permanece em 1,7%. No primeiro trimestre de 2026, a economia cresceu 1,1% na comparação com o trimestre anterior e 2% no acumulado de 12 meses.
O dólar projetado para o fim de 2026 caiu levemente, com o mercado reduzindo a estimativa para a taxa de câmbio nos próximos anos. A combinação de inflação acima da meta, Selic em patamar elevado e crescimento moderado configura o cenário econômico mais desafiador dos últimos anos para o governo Lula, às vésperas das eleições de outubro.
