O Ceará lidera as exportações nacionais de pescados e consolidou sua posição como referência nacional no setor. Nos primeiros quatro meses de 2026, o estado exportou US$ 28,73 milhões em lagosta, camarão e peixes, com destaque para a Compex Pescados, empresa de Fortaleza que exporta cerca de 3,5 mil toneladas por ano para 16 países na Ásia, Oceania e América do Norte. Para o empresário Paulo Gonçalves, a localização estratégica do Ceará é um diferencial competitivo. "As facilidades logísticas do Ceará contribuem muito para esse protagonismo, pois estamos muito bem servidos, com dois portos de cargas gerais e um aeroporto internacional", destaca. O estado também adotou medidas para proteger o setor durante o tarifaço dos EUA: por decreto do governador Elmano de Freitas, foram assegurados redução de encargos do FDI, subvenção econômica e créditos de exportação. A estimativa é de que cerca de 100 mil empregos tenham sido preservados.
Um dos investimentos que impulsionam o crescimento é o terminal de cargas frias da Fracht Log no Complexo do Pecém, com R$ 120 milhões investidos. A estrutura opera como uma geladeira logística a 8 km do porto, armazenando sardinha, atum, lagosta, camarão e outros produtos a até -25°C, com 80% da capacidade ocupada. Antes, empresas mantinham contêineres refrigerados parados no porto por longos períodos, elevando custos.
O Ceará responde por mais de 50% da produção nacional de camarão e tem na pesca artesanal uma base histórica com cerca de 20 municípios litorâneos vivendo da relação com o mar. O secretário-executivo do Agronegócio da SDE, Sílvio Carlos, aponta que há espaço para crescer ainda mais, especialmente com a abertura do mercado europeu para pescados cearenses.
