O Ceará consolidou em 2025 sua posição como maior polo produtor de calçados do Brasil, respondendo por quase um em cada três pares fabricados no país, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Sobral lidera a produção municipal nacional, com 153,7 milhões de pares fabricados, e puxa o protagonismo cearense no setor. O estado conta com a presença de grandes grupos como Grendene e Vulcabras, além de incentivos fiscais e disponibilidade de mão de obra qualificada como vantagens competitivas. No plano das exportações, o Ceará é o segundo maior exportador do país em volume, com 32,6 milhões de pares embarcados e receita de US$ 189,4 milhões em 2025. O Rio Grande do Sul segue como líder em receita, com US$ 457,7 milhões, mas o Ceará supera o estado gaúcho no volume de pares exportados.

O desempenho exportador do setor cearense em 2025 foi impactado pelas tarifas norte-americanas impostas pelo governo Trump sobre produtos brasileiros. A alíquota sobre calçados brasileiros subiu de 17,3% para 27,3%, ainda assim significativamente abaixo das tarifas aplicadas a produtos asiáticos, que superaram 49%, o que abriu espaço para o Brasil ampliar mercados alternativos como Argentina, Espanha, Paraguai e Equador. No início de 2026, o setor enfrenta queda nas exportações, com retração de 24,1% em volume e 27,5% em receita no primeiro bimestre, reflexo da reconfiguração do comércio global e da concorrência com produtores asiáticos, que pressionam os preços no mercado internacional.

O polo calçadista cearense é considerado um dos pilares da economia do interior do estado, com a cadeia produtiva gerando empregos diretos e indiretos em cidades como Sobral, Horizonte, Itapajé e Caucaia. O governo estadual destaca o setor como estratégico para a geração de renda e diversificação econômica, com perspectivas de crescimento ligadas à consolidação do Porto do Pecém como hub de exportação e à chegada de novas marcas ao estado.