O ex-governador Ciro Gomes (PSDB) se diz dividido entre o convite do PSDB para disputar a Presidência da República e o compromisso com sua pré-candidatura ao governo do Ceará. Após receber ontem o chamado público do presidente nacional do partido, Aécio Neves, Ciro não descartou a candidatura presidencial, mas condicionou qualquer decisão a uma consulta com aliados e com a sociedade cearense. "A minha angústia com o Brasil não me permite descartar por isso simplesmente, e o meu respeito e os meus deveres com o Ceará também não me permitem aceitar prontamente o desafio", declarou o ex-ministro. Em paralelo, Ciro confirmou que a aliança que vinha sendo articulada com o PL no Ceará está "suspensa", em meio à resistência de setores do partido à sua aproximação com o PSDB.
A movimentação repercutiu entre os aliados cearenses de Ciro, que descartam a candidatura presidencial e apostam no anúncio próximo da disputa pelo governo do estado. O deputado estadual Antônio Henrique (PSDB) disse que, se Ciro ouvir a esposa, os filhos e os cearenses, "a resposta já foi declarada" e que o ex-governador não será candidato à presidência. Pesquisa Datafolha divulgada recentemente aponta Ciro empatado tecnicamente com o governador Elmano de Freitas (PT) no primeiro turno da disputa pelo governo cearense, com 46,2% contra 42,6%. Em cenários de segundo turno, Ciro venceria tanto Elmano quanto o ministro Camilo Santana (PT).
O convite de Aécio Neves embaralha também o tabuleiro do PL, que vinha discutindo apoio a Ciro no Ceará e agora enfrenta o risco de ver o ex-governador entrar na disputa presidencial como terceira via, disputando votos do campo oposicionista que Flávio Bolsonaro (PL) busca consolidar. A decisão de Ciro sobre seu destino eleitoral ainda não tem prazo definido, mas deve ser tomada após diálogo com sua base política cearense.
Ciro Gomes avalia candidatura à presidência mas mantém foco no Ceará
