O ex-senador Tasso Jereissati (PSDB) afirmou hoje que Ciro Gomes deve ser candidato ao governo do Ceará em 2026, descartando a candidatura presidencial para este ano e deixando a porta aberta para 2030. A declaração foi dada em resposta ao convite público feito pelo presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, para que Ciro dispute a Presidência da República pelo partido. "Agora é a vez de ser governador, mas daqui quatro anos, quem sabe", disse Jereissati. O ex-senador é considerado o principal articulador do retorno de Ciro ao PSDB, partido pelo qual o ex-ministro governou o Ceará nos anos 1990. A estratégia de Tasso é que uma vitória no estado em 2026 posicione Ciro como candidato natural ao Planalto em 2030, quando ainda terá idade e capital político para a disputa.

A posição de Tasso contrasta com a indefinição pública de Ciro, que não descartou o convite de Aécio, condicionando qualquer decisão a uma consulta com seus aliados cearenses. O próprio ex-ministro admitiu estar "me coçando olhando para o Brasil", em tom revelador sobre sua ambição presidencial. Aliados próximos de Ciro no Ceará, porém, acompanham Tasso e apostam que o ex-governador permanecerá na disputa estadual. Pesquisas recentes mostram Ciro empatado tecnicamente com o governador Elmano de Freitas (PT) no primeiro turno e vencendo o petista em cenários de segundo turno. Nos bastidores, há leitura de que o convite de Aécio foi uma tentativa de parte do PSDB de alavancar o partido diante da cláusula de barreira, e não necessariamente uma aposta real na candidatura presidencial de Ciro.

O cenário eleitoral cearense segue em aberto. A aliança que Ciro vinha construindo com o PL no estado está suspensa após a aproximação com o PSDB, e o ex-prefeito Roberto Cláudio, cotado pelo próprio Ciro como o "mais preparado para governador", ainda não tem partido definido. A decisão final de Ciro sobre sua candidatura, estadual ou federal, deve ser tomada nas próximas semanas, com prazo de filiação partidária para outubro se aproximando.