O avanço das apostas on-line e seus efeitos sobre o consumo, o endividamento das famílias e o comércio levaram a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que representa o setor em todo o país, incluindo o Ceará, ao Palácio do Planalto na terça-feira (1º). O vice-presidente financeiro da confederação, Leandro Domingos Teixeira, defendeu junto ao presidente Lula medidas mais rigorosas de controle e fiscalização.
REUNIÃO NO PLANALTO
O encontro reuniu representantes do governo federal, do setor produtivo e de organizações da sociedade civil, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros e entidades como CNI, Febraban, CNBB, Dieese, Idec, Abrasco e Instituto Alana.
Segundo Domingos, a CNC passou a acompanhar mais de perto o mercado de apostas a partir de relatos de empresários, sobretudo de pequenos negócios, sobre aumento da inadimplência e redução do consumo associados aos gastos com jogos on-line. "Isso é dinheiro que sai da nossa economia e deixa de circular no comércio", afirmou, ressaltando que os valores movimentados pelas plataformas não equivalem ao lucro das empresas, já que incluem recursos pagos em prêmios.
R$ 700 BILHÕES DESDE 2023
"De janeiro de 2023 a março de 2026 os gastos chegaram perto de 700 bilhões de reais, sendo que no ano passado esse gasto foi de 320 bilhões de reais o ano todo", detalhou Domingos. Segundo a entidade, os impactos "ultrapassam a atividade econômica" e podem comprometer recursos das famílias destinados a necessidades básicas.
PROPOSTAS DA CNC
Entre as medidas defendidas estão o combate a plataformas clandestinas, maior articulação entre órgãos de fiscalização, redução do número de plataformas autorizadas, controle sobre valores apostados, regras mais rígidas de publicidade, maior tributação da atividade e criação de estrutura de prevenção e tratamento ao vício em apostas.
Ao final, Lula afirmou que o governo deverá avaliar medidas mais duras em relação às bets e reconheceu a necessidade de ampliar a fiscalização das plataformas.
