A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou como um retrocesso para a economia brasileira a aprovação, pelo Congresso Nacional, da proposta que retira a cobrança da "taxa das blusinhas", Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50. Para a entidade, a medida amplia a vantagem competitiva de produtos estrangeiros e pode prejudicar principalmente empresas brasileiras de menor porte, entre elas indústrias têxteis e calçadistas presentes também no Ceará.
RISCO PARA A INDÚSTRIA NACIONAL
Na avaliação da CNI, a mudança tende a aumentar a entrada de mercadorias de baixo valor produzidas no exterior, sobretudo na China, apontada como um dos principais fornecedores desse tipo de produto ao mercado brasileiro. "O fim da tributação para importações de até 50 dólares equivale a financiar a indústria de países como a China, principal exportador de produtos de baixo valor para o Brasil, especialmente no setor têxtil", afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
109 MIL EMPREGOS EM RISCO
Um levantamento divulgado pela confederação em agosto projetou os possíveis impactos da retirada do imposto. De acordo com o estudo, a medida pode colocar em risco 109 mil postos de trabalho e reduzir em R$ 21,8 bilhões a produção doméstica ao longo de 2026.
COMO FUNCIONAVA A TAXA
As compras internacionais passaram a recolher o ICMS estadual a partir de 2023. No ano seguinte, entrou em vigor a cobrança de 20% de Imposto de Importação para remessas de até US$ 50, a chamada "taxa das blusinhas". Para a CNI, a criação da cobrança representou conquista para o setor produtivo ao estabelecer tributação mínima sobre importados e reduzir a diferença de custos com mercadorias nacionais.
Outro estudo da entidade, divulgado em abril, estimou que a cobrança evitou a entrada de cerca de R$ 4,5 bilhões em produtos importados e ajudou a preservar mais de 135 mil empregos, movimentando cerca de R$ 20 bilhões na economia nacional.
