A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investigou irregularidades no INSS encerrou seus trabalhos na madrugada deste sábado sem aprovar um relatório final. O parecer do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), foi rejeitado pela maioria dos parlamentares após uma sessão que durou mais de oito horas de leitura do documento. A CPMI investigou suspeitas de fraudes sistemáticas contra aposentados e pensionistas por meio de descontos associativos não autorizados, atingindo estruturas nos Três Poderes da República, segundo o próprio relator.

O placar dividiu-se entre governistas e oposição: votaram a favor do relatório parlamentares como Magno Malta, Rogério Marinho, Damares Alves e Eduardo Girão, entre outros, em sua maioria ligados ao PL e à direita. Votaram contra Randolfe Rodrigues, Jaques Wagner, Augusta Brito e outros parlamentares alinhados ao governo Lula. A rejeição impede o envio de um documento conclusivo com recomendações formais de indiciamento ou mudanças estruturais. Na prática, os trabalhos se encerram sem posicionamento oficial consolidado do colegiado.

A ausência de um relatório aprovado limita os desdobramentos formais da comissão, como encaminhamentos ao Ministério Público, mas os documentos e debates produzidos ao longo dos sete meses podem subsidiar futuras investigações. O senador Randolfe Rodrigues apontou "omissões" no texto de Gaspar, enquanto a senadora Damares Alves elogiou o trabalho e lamentou que vários convidados não tenham comparecido à comissão. O desfecho sem consenso reforça o uso das CPMIs como espaço de embate político além da função investigativa.