O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, assinou ontem um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal, dando início formalmente ao processo de negociação de um acordo de colaboração premiada. O documento garante que nada do que for dito durante as tratativas poderá ser usado contra ele caso o acordo não seja concretizado. Na mesma data, por decisão do ministro do STF André Mendonça, Vorcaro foi transferido de helicóptero da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde as condições de acesso à defesa são mais flexíveis.
A mudança de unidade foi solicitada pela defesa para viabilizar as reuniões necessárias ao processo de delação. Na penitenciária federal, o contato com advogados era feito por parlatório com divisão de vidro e sob gravação. Na superintendência da PF, essas restrições não se aplicam. O advogado responsável pela condução do acordo é José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, que já conduziu delações de alto perfil na Operação Lava Jato e atuou em casos como o do mensalão e o do general Braga Netto. A partir de agora, Vorcaro se reunirá inicialmente com a própria defesa para organizar os fatos antes de avançar para reuniões com as autoridades investigadoras.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro e já acumula perdas superiores a R$ 50 bilhões para diferentes entidades, incluindo o Fundo Garantidor de Créditos e fundos de pensão. Também ontem, o ministro André Mendonça prorrogou por mais 60 dias o inquérito que investiga suspeitas de fraudes relacionadas à tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília, citando a necessidade de análise do extenso material apreendido. Segundo apuração da imprensa, Mendonça sinalizou que deve estender o prazo até a conclusão das investigações.
Daniel Vorcaro assina acordo de confidencialidade e dá início ao processo de delação premiada
