A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apresentou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República uma nova versão da proposta de delação premiada. Na última segunda-feira (1°), a defesa teve reunião com investigadores e apresentou a nova proposta, com adendos acrescentados na terça-feira (2). A informação foi divulgada pela TV Globo e confirmada pela Folha de S.Paulo. As primeiras versões dos anexos da colaboração foram entregues em 6 de maio, mas os investigadores da PF e da PGR consideraram fracas as informações que Vorcaro pretendia fornecer. O ministro André Mendonça, relator dos inquéritos no STF, também manifestava ceticismo sobre o acordo à época.
Em 22 de maio, o advogado Luís Oliveira Lima, o Juca, que estava à frente das tratativas, deixou a defesa. No seu lugar seguiu o advogado Sérgio Leonardo, próximo a Vorcaro desde a juventude. Após rejeitar a versão inicial da delação, a PF voltou à mesa de negociação uma semana depois. Mendonça autorizou o retorno de Vorcaro a uma cela especial na superintendência da PF em Brasília, mesma cela onde o ex-banqueiro estava enquanto fazia os relatos do acordo de colaboração aos advogados.
O Caso Master é um dos mais sensíveis do cenário político às vésperas das eleições de outubro. Vorcaro foi preso em março de 2026 por suspeita de liderar organização criminosa. As investigações já resultaram em seis fases da Operação Compliance Zero, com prisões de aliados e agentes da própria PF, além de expor o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro no financiamento do filme Dark Horse.
