O escândalo do Banco Master ganhou novos e explosivos desdobramentos. O presidente do STF, ministro Edson Fachim, decidiu arquivar o processo que investigava a atuação do ministro Dias Toffoli como antigo relator do caso. A decisão foi tomada em reunião no dia 12 de fevereiro, quando Toffoli deixou a relatoria do processo mediante condições impostas aos colegas, entre elas o arquivamento da ação de suspeição contra ele. O novo relator é o ministro André Mendonça, com quem Toffoli teve divergências públicas. Mendonça determinou que todos os documentos apreendidos pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que prendeu Daniel Vorcaro em novembro de 2025, sejam entregues à CPMI do Congresso Nacional que investiga o escândalo do INSS.

O relatório da PF, entregue em fevereiro ao ministro Fachim com 200 páginas, revelou estreitas relações entre Vorcaro e Toffoli: mensagens trocadas entre os dois, ao menos seis encontros presenciais e pagamentos acertados por Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zetel ao ministro do STF. Com o arquivamento do processo, essas informações não serão mais investigadas naquele âmbito, e Toffoli poderá participar de todos os julgamentos que envolvam o Banco Master.

Os documentos apreendidos pela PF estavam até a semana passada nas mãos do presidente do Senado, David Alcolumbre, cujo irmão é conselheiro do Fundo de Previdência do Amapá, que investiu R$ 400 milhões em CDBs do Banco Master. Alcolumbre é citado na lista de Vorcaro, o que explicaria, segundo o colunista Egídio Serpa do Diário do Nordeste, os quatro meses de demora na aprovação da indicação de André Mendonça ao STF pelo Senado. Com o repasse dos documentos à CPMI, deputados terão acesso à lista completa de políticos, ministros, governadores e magistrados ligados ao escândalo. As fraudes do Banco Master somam prejuízos superiores a R$ 50 bilhões e afetaram 1,6 milhão de pessoas físicas e jurídicas.